Dupla Queirolo-Visconde vence os 300 km de Porsche em Interlagos



Primeira prova de longa duração da Porsche GT3 Cup Challenge Brasil coroa Tonny-Hellmeister com os carros "997"



Luca Bassani

A celebração da primeira década de existência da Porsche GT3 Cup Challenge foi apoteótica na noite deste sábado em Interlagos. Após a definição do título da classe Cup pela manhã, a primeira prova de endurance exclusiva para Porsches no Brasil foi vencida pela dupla Marcel Visconde-Pedro Queirolo com o Porsche #15.

Um dos remanescentes da primeira corrida da história do evento, em 2005, Visconde é o recordista de participações na Porsche GT3 Cup. Ele agora escreve seu nome na categoria como primeiro vencedor da prova de 300 km, ao lado de Pedro Queirolo, outro piloto regular da classe Cup e também vencedor de corrida na temporada 2015.

A segunda posição ficou com a dupla Marcelo Hahn-Allam Khodair, que fez sua estreia no evento com o Porsche #16 e liderou a parte inicial da corrida.

Os 300 km de São Paulo mesclaram ingredientes dos principais eventos internacionais de endurance: pilotos profissionais no grid, largada de dia e bandeirada à noite, agitação nas paradas de box, bandeiras amarelas embaralhando a tática, carros mais rápidos da classe Cup negociando ultrapassagens com competidores da Challenge e também algumas punições por erros nas regras dos pit-stops.

Os Porsches #88, da dupla Eduardo Azevedo e Franco Giaffone, e #52, de Beto Posses e Clemente Lunardi foram os primeiros a receber a bandeirada, nesta ordem. Mas, punidos com acréscimo de tempo, Azevedo-Giaffone subiram ao pódio em terceiro e Posses-Lunardi em quinto.

Com o Porsche #2, a dupla Marcio Basso-Nonô Figueiredo fez uma bela prova de recuperação. Largando na pole, o carro se envolveu num acidente na primeira curva e ainda teve que cumprir punição pelo episódio. De último galgou posições e, de noite, ultrapassou o líder para terminar na mesma volta em quarto lugar.  

Na classe Challenge  a vitória foi da dupla The Tonny-Allan Hellmeister com o Porsche #53. Eles dominaram amplamente a divisão desde a pole position. Chegaram a passar mais de uma hora dentro do top5 no geral e receberam a bandeirada uma volta à frente dos segundo colocados com o “997”, Rodrigo Mello e Tom Filho, a bordo do #19.

Entre terceiro e quinto lugares, também subiram ao pódio, nesta ordem, as duplas Zattar-Maluhy, Neto-Darakdjan e Arruda-Amaral.



A corrida

Na largada, Allam Khodair saltou por fora com o Porsche #16 e passou o pole Marcio Basso. JP Mauro tentou atacar por dentro na entrada do S do Senna, e os carros se tocaram. O Porsche #2 conseguiu chegar aos pits para reparos, enquanto o #5 ficou na área de escape.

No término da volta 1, o carro #34 rodou e bateu na parte interna do muro no fim da reta. Fabio Alves, com o #84, e Rodolfo Ometto, com o #8, foram atingidos mas tiveram destinos distintos. Alves foi obrigado a abandonar, encerrando prematuramente uma promissora jornada em dupla com Elias Azevedo. O #8 conseguiu continuar e terminou em sétimo, na volta do líder.

Durante seis volta de bandeira amarela, o tempo nublou em Interlagos e a garoa deu as caras em trechos da pista. Mesmo assim os carros mantiveram os slicks o tempo todo.

Ao término da volta 10, com 23 minutos de corrida, os cinco primeiros eram: Allam Khodair, Clemente Lunardi, Franco Giaffone, Ricardo Baptista (#27) e Daniel Schneider (#77).

Baptista ganhou a posição do Porsche #88, e Schneider tentou atacar duas voltas mais tarde na entrada do Bico de Pato. Mas, quando apoiou na zebra, “traseirou”, acabando na barreira de proteção.

Na marca de 30 minutos de prova, Lunardi abriu temporada de caça a Khodair. Mas teve seu ataque frustrado pela intervenção do safety-car, já que Schneider não conseguiu voltar para box por meios próprios.

O pelotão então aproveitou para a primeira jornada de reabastecimento e trocas de pilotos, salvo pela dupla Elias-Freitas, que arriscou permanecer na pista por mais um giro com o #37, assumiu a liderança, mas estourou o limite de 35 minutos no seu primeiro stint.

O fim da janela de paradas coincidiu com a relargada, e a ordem dos carros no início do que foi o segundo stint para a maioria tinha: Franco Giaffone, Bruno Baptista, Beto Posses, Allan Hellmeister e Betinho Gresse.

Mostrando muita velocidade com o Porsche #27, o mais jovem Baptista estava decidido a assumir a dianteira na abertura da volta 21, aos 45min de prova. Emparelhou com Giaffone mas ficou sem ação na segunda perna do S do Senna. Arriscou de novo no miolo, depois tentou mais uma vez por fora no fim da reta principal. Na volta 23 o ímpeto do jovem de 18 anos surtiu efeito: Franco bloqueou a linha interna no fim da reta oposta, mas Baptista teve a preferência no Lago para fazer uma das manobras mais plásticas das duas horas e meia de prova.

Na volta 25, com 54 minutos de corrida, os cinco primeiros eram: Baptista, Giaffone, Posses, Queirolo e Hellmeister.

Na marca de uma hora de prova, Paulo Pomelli, que vinha em décimo no geral com o carro da Challenge, abriu a segunda ronda de pits. Enquanto isso, na frente, Bruno Baptista já havia aberto 2s4 sobre Giaffone e mais 3s6 sobre Posses.

Na volta 33 Posses trouxe o Porsche  #52 para os pits e Clemente Lunardi reassumiu o volante. Mas o carro estava acima do limite de velocidade na chegada ao pitlane, infração que renderia 1min40s de punição à dupla após a bandeirada.

Os demais ponteiros pararam na volta 35, quando Bruno Baptista entregou o carro #27 para o tio Ricardo Baptista com 6s6 de vantagem sobre o Porsche #88, que ficou a cargo de Edu Azevedo. Queirolo passou nos pits no giro seguinte, para a entrada de Marcel Visconde no Porsche #15.

Após a segunda rodada dos pits, a ordem dos carros mostrava no top5: Ricardo Baptista, Clemente Lunardi, Edu Azevedo, Marcel Visconde e Rodolfo Ometto. Mas Baptista saiu dos boxes meio segundo antes do tempo mínimo de 6 minutos, o que é passível de punição de 100 segundos. Na tentativa de ampliar a vantagem, Ricardo rodou na entrada do S do Senna na abertura da volta 40 –para ser ultrapassado por Lunardi e Edu Azevedo.

Os dois então resolveram duelar pela liderança, enquanto Ricardo Baptista trouxe para box para uma parada extra para trocar os pneus danificados na rodada. O Porsche #88 era mais veloz, mas Clemente com muita astúcia deixava sempre o lado de fora no fim das retas.

Na marca de 90 minutos de corrida, com 43 voltas completadas, o top5 tinha Clemente Lunardi, Edu Azevedo, Marcel Visconde, Rodolfo Ometto e The Tonny.

Na volta 50 Edu conseguiu a linha interna no fim da reta. Clemente bloqueou rodas e acabou escapando na entrada do S do Senna. Retornou à pista e entrou no box a seguir para a terceira parada do Porsche #52.

Organizado o pelotão após a última janela de pits, os competidores partiram para o stint final, variando entre 13 e 15 voltas ou 35 minutos, com Franco Giaffone na dianteira, seguido por Beto Posses, Pedro Queirolo e Carlos Ambrósio.

Prejudicado por uma volta a mais que os concorrentes atrás de um safety-car, o Porsche #16 voltou para Khodair após dois stints muito consistentes de Marcelo Hahn. Na pista, avançou de sexto para quarto.

Nonô Figueiredo também foi um dos destaques do trecho noturno. Levou o Porsche #2 aos limites da pista e teve o esforço recompensado ao ultrapassar o líder, descontando a volta de desvantagem decorrente da batida da largada.

Na bandeirada, depois de 2h22min e 70 voltas, Franco Giaffone foi o primeiro a cruzar a linha com o Porsche #88. A seguir vieram Beto Posses-Clemente Lunardi, Marcel Visconde-Pedro Queirolo, Marcelo Hahn-Allam Khodair e Carlos Ambrósio-Rodolfo Ometto.

Entre os Challenge os três mais rápidos foram: The Tonny-Allan Hellmeister, Tom Filho-Rodrigo Mello, Luiz Zattar-Felipe Maluhy, , Neto-Darakdjan e Arruda-Amaral.

Depois da aplicação das punições por infrações diversas nos pits, a ordem oficial de chegada ficou assim: Visconde-Queirolo, Hahn-Khodair, Azevedo-Giaffone, Basso-Figueiredo e Posses-Lunardi. O top5 da Challenge foi: Tonny-Hellmeister, Mello-Tom Filho, Zattar-Maluhy, Neto-Darakdjan e Arruda-Amaral.



Declarações dos pilotos

Tenho uma história longa aqui, e é uma história muito bonita. Vi este evento começar em 2005, fui um dos apoiadores por muito tempo e só corro na categoria faz dez anos. Sempre gostei muito de corrida longa, já ganhamos Mil Milhas com a equipe do Dener, 500 km... Então a gente tem um certo know how com corrida longa. Sem dúvida vai ficar marcada essa no nosso currículo, porque é legal demais ganhar a primeira e tenho certeza que o Dener já percebeu que o produto é bom e teremos várias próximas. O Pedro guiou soberbamente, fiz meu trabalho também constante o tempo todo e estamos de parabéns

Marcel Visconde



Foi um grande prazer correr com o Marcel. Eu estava sem parceiro, ele me chamou mas nem queria muito vir... Aí falei “vamos lá” porque tinha certeza que a gente tinha muita chance. Apesar do peso que a gente carrega, no ano todo sempre fomos muito próximos na temporada da Cup. O campeonato todo chegamos um perto do outro, disputando as corridas: na classificação aqui tivemos 0s005 de diferença, o que exemplifica bem essa ideia.

Sempre tive inveja do Marcel nas provas longas com o Porschão: Ele fazia as corridas e sempre ganhava da gente né. Então eu sabia que era o parceiro certo para vencer numa prova dessas. Foi dito e feito, fizemos um grande trabalho na pista e no box, evitando erros. Fizemos um bom ritmo e quem errou menos foi quem ganhou. Parabéns para o Dener pela iniciativa e esperamos ao menos uma corrida dessa por ano porque foi legal demais

Pedro Queirolo



Foi uma oportunidade muito bacana de fazer esta corrida longa, á tinha feito algumas mas com modelos totalmente diferentes. Sem dúvida andar junto com o Allan somou muito para mim em termos de acerto, estratégia, experiência etc. Então saio deste ano, com certeza, com uma evolução e um aprendizado muito maior, com bagagem que quero levar para o ano que vem e ter um desempenho ainda melhor. Foi um fim de semana impecável incluindo todos os treinos. Não saímos nenhuma vez da pista, acertamos nas paradas. Então além de escrever os nomes como os primeiros vencedores da prova longa de Porsche no Brasil, foi uma oportunidade de aprender muito. A equipe toda está de parabéns, foi um fim de semana irretocável, para guardar na memória

Rodolfo Toni



Não poderia ter sido melhor, já começou desde quinta-feira com a pole. De pneu usado o carro não era tão rápido nos treinos e isso era preocupação para nós antes da largada. Mas numa corrida de longa duração conta muito mais que ser rápido, é o trabalho da equipe toda com união e nisso fomos perfeitos. Os pits foram ótimos, o ritmo foi muito bom e no final o Tonny colocou um ritmo que era além até do que a gente precisava. Então foi muito bom e espero que tenham mais provas como esta no ano que vem para continuarmos essa parceria que começou tão bem agora

Allan Hellmeister



Estou muito feliz em ter participado desse evento fantástico, muito bem organizado. Estou muito feliz com o resultado. Sabíamos da importância de não errar e conseguimos uma corrida quase sem erro nenhum para chegar nesse resultado. Não era exatamente o que a gente queria, mas estamos muito felizes com o segundo lugar. Caso tenha de novo essa corrida, vamos querer participar porque foi muito bacana

Marcelo Hahn



Mesmo depois de tantos anos de carreira, hoje é um dia muito feliz para mim. É um carro que eu admiro faz tempo. É um sonho realizado competir com essa máquina fantástica que é o Porsche. Só tenho que agradecer o evento por este primeir contato com o carro. Tivemos um errinho ficando uma volta a mais atrás do safety-car, mas a dupla vencedora também, então acho que foi justo o resultado. Poderíamos ter vencido, mas segundo lugar também está de bom tamanho neste primeiro evento.

Tinha pilotado uma vez à noite em Miami e é um grande desafio, porque você perde todas as referências. Algumas vezes ficava com o farol alto, mas quando vinha carro na frente eu baixava –e tem alguns pontos onde é complicado até estabelecer suas próprias referências, porque você perde placa, perde marcas no asfalto... É uma emoção um pouco mais forte e felizmente consegui buscar nesse contexto. É interessante guiar nessas condições e a concentração precisa ser maior ainda

Allam Khodair



Tivemos uma prova consistente o tempo inteiro mesmo com um problema de câmbio. A partir do segundo stint do Rodrigo ficamos sem segunda marcha e fizemos metade da corrida assim. E mesmo assim deu para manter o ritmo. É um dia muito feliz, consolidou ainda mais nossa amizade e dá um grande ânimo para começar tudo de novo em 2016

Tom Filho



É uma sensação de vitória porque a etapa foi sensacional. Perdemos no final para uma dupla muito forte –o Allan é um piloto profissional, a gente não... E ainda conseguimos ficar na frente de outros grandes profissionais como Maluhy e Gresse, então é uma alegria muito grande. A gente faz isso aqui porque a gente gosta, e hoje conseguimos terminar na frente de profissionais. Então estou muito feliz

Rodrigo Mello



Porsche 300 km – Interlagos:

#15 Visconde-Queirolo
#16 Hahn-Khodair, a 27s639
#88 Azevedo-Giaffone, a 51s961
#2 Basso-Figueiredo, a 52s014
#52 Posses-Lunardi, a 1min05s990
#27 Baptista-Baptista, a 2min34s009
#8 Ambrósio-Ometto, a 4min001s339
#53 Tonny-Hellmeister (C), a 1 volta
#19 Tom-Mello (C), a 2 voltas
 #47 Zattar-Maluhy (C), a 2 voltas
#33 Neto-Darakdjan (C), a 2 voltas
#55 Arruda-Amaral (C), a 2 voltas
#7 Huerta-Gresse (C), a 3 voltas
#20 Silveira-Silveira, a 3 voltas
#21 Keller-Barros, a 3 voltas
#82 Alcaraz-Benedetto (C) , a 3 voltas
#9 Moodley-Culbert (C), a 4 voltas
#37 Elias-Freitas (C), a 5 voltas
#44 Leite-Sala (C), a 15 voltas
#99 Pomelli-Mesquita (C), a 27 voltas
#77 Schneider-Ferraiolo, a 57 voltas
#84 Alves-Azevedo, a 69 voltas
#34 Billi-Mauricio, a 69 voltas
#5 Sylvio-JP, a 70 voltas

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